sexta-feira, 19 de julho de 2013

E esses eventos bacanas que acontecem...

Um evento que participei com afinco, em pelo menos metade dos dias, prestigiando palestras, entrevistas e sessões de autógrafos, foi a Bienal do Livro, ano passado (2012) na capital de São Paulo. Teve até ônibus fretado (gratuito!) para te levar até a porta e, do mesmo modo, quando desse a hora final, lhe trazer de volta pra fachada do metrô Tietê. A entrada era 12 Dilmas, se bem me recordo. Meia, seis. Eu cheguei a ganhar dois ingressos da Saraiva (algum tipo de bônus por ter comprado algum livro lá, nas vésperas do evento), então, estava contente em estar presente na maioria dos dias sem fazer meu bolso chorar. Ouvi reclamações sobre cobrar entrada, comparando o evento com outras iniciativas internacionais de entrada gratuita. Ouvi reclamações dos estandes de diversas editoras, ao que diz respeito a falta de desconto convidativos nos livros, pois, eventos do tipo em outros países vendem tudo pela metade do preço. E fiquei com depressão ao, depois de uma tarde de palestras, passar na Praça de Alimentação e me deparar com salgados compactos de preços épicos; algo como “pague dois e leve meio”.

Mas, quando eu pensei que participei de um evento que poderia ser muito melhor, descobri estar no meio de outro tão manco quanto aquele. “Puxa, a Bienal tava era boa. 6, pra entrar...”, era o pensamento.

Por exemplo: Anime Friends. Nunca tinha ido e resolvi mudar isso. Além de ver o ambiente, meus interesses eram jogar RPG e conferir alguns estandes afim de jogar na mochila alguns suplementos. O primeiro choque foi o preço da entrada: 25, 25, 30, 35, respectivamente, de quinta a domingo (ou 75, num pacote dos quatro dias). Logo ali, na entrada, eu já deixava o provável investimento que faria num livro. Mas pensei comigo: “relaxa, vai ter desconto nos livros”. Afinal, a Bienal teve estandes com belos descontos (mais acentuados nos últimos dias do evento), então, quem sabe, neste evento, o estande da Panini ou da Jambô apresente preços bonitos.

“Desconto de 10% com mais de 100 reais de compra”, disse a atendente de um estande assim que perguntei com todo meu carisma se teria um desconto bacana nos títulos. Raciocinei uma livraria que venderia aquele livro que eu namorava por quase metade do preço ali estampado, então girei nos calcanhares e fui pra Praça de Alimentação afogar minha frustração enchendo a pança. Dei meia volta assim que vi “Pastel 6,00”. Me perguntei se, em anos que não consumo um pastel, o preço do bicho aumentou desse jeito, ou se aquele era um pastel especial ou se estava caro porque era comercializado num evento. Uma pergunta retórica.

E o que falar sobre o RPG? Bem, digo que foi um baita desafio prestar atenção no que o mestre ou o companheiro jogador falava enquanto, à 60 metros dali, um palco com potentes caixas de som pulsava o rock das bandas que se apresentavam. Suspeito de uma falha na alocação das mesas junto à um desdém para com o RPG e seus adeptos.

E a fila de entrada sempre lenta e lotada, além do horizonte. Me perguntei se aquela galera não se incomodava em estar presente ali todos os dias e deixar uma bela grana no balcão, passar o dia inteiro lá dentro sendo obrigado a consumir comidas e bebidas de poder monetário inflamadas (a menos que leve sua própria comida e bebida, o que parece ser bom negócio; ou, faça um jejum) e comprar produtos num atacado sem desconto. No fim dessa brincadeira, considere o gasto cômico de quase meio salário mínimo por fim de semana. Mas acho que poucos se incomodaram com essa economia, dado o número de pessoas por lá. Eu me incomodei e meu único gasto foi a entrada (e fazia tempo que não entrava num jejum sem ter exame de sangue no dia seguinte).

Muito bacana esse evento. Curti pra caramba, legal mesmo. Voltarei sempre que tiver.

Só que não.

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