sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Sobre Mechina

O conceito da arte deles é exploração espacial, tecnologia, evolução. A orquestração e os arranjos sintetizados estão lá, como num apeloso filme de ficção científica. Às vezes os teclados criam pausas meditativas, tem violino no meio também. Mas acima de tudo é metal: a guitarra não descansa e o baterista é um animal velocista. Há o gutural, o limpo masculino e o limpo feminino nos vocais. Recomendo com um rugido.





quarta-feira, 1 de novembro de 2017

"O murmúrio das águas é a voz do pai do meu pai"

O presidente em Washington manda dizer que deseja comprar a nossa terra. Mas como pode comprar ou vender o céu, a terra? Essa ideia é estranha para nós. Cada parte dessa terra é sagrada para meu povo. Cada agulha de pinheiro brilhante, cada grão de areia da praia, cada névoa na floresta escura, cada característica é sagrada na memória e na experiência do meu povo. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores são nossas irmãs. O urso, o veado, a grande águia são nossos irmãos. Cada reflexo na água cristalina dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz do pai do meu pai. Os rios são nossos irmãos, eles levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos. Se lhes vendermos nossa terra, lembrem-se de que o ar é precioso para nós e compartilha seu espírito com as formas de vida que sustenta: o vento que deu ao nosso avô o seu primeiro alento recebe, também, o seu último suspiro. 

Sabemos que a terra não pertence ao homem — o homem pertence à terra. Todas as coisas são interligadas, como o sangue que nos une. O homem não tece a teia da vida, ele é apenas um fio dela — o que fizer à teia, fará a si mesmo. 

O destino de vocês é um mistério para nós. O que vai acontecer quando todos os búfalos forem sacrificados? O que vai acontecer quando os recantos secretos da floresta estiverem passados com o odor de inúmeros homens e a vista das colinas verdejantes se macular com os fios que falam? Será o fim da vida e o começo da sobrevivência. Quando o último pele-vermelha sumir com a natureza selvagem e sua lembrança for só a sombra de uma nuvem sobre a planície, essas praias e florestas ainda estarão aqui? Terá sobrado algum espírito do meu povo? 

Amamos a terra como o recém-nascido ama as batidas do coração da mãe. Então se vendermos nossa terra, amem-na como nós a amamos, cuidem dela como nós cuidamos, preservem na mente a lembrança da terra, tal como ela estiver quando a receberem. Preservem a terra para as crianças e amem-na como Deus nos ama. Sabemos que só existe um Deus. Nenhum homem, vermelho ou branco, pode viver isolado. No final das contas, somos todos irmãos.    

— Palavras do Chefe Seattle, 1852

terça-feira, 24 de outubro de 2017

William James teve a ideia...

... e foi confirmado cientificamente que a memória não é como um poço em que você mergulha ou enche um balde. Quando você lembra de algo, lembra da memória. Você se lembra da última vez que lembrou, não da fonte. Então vai ficando cada vez mais inexata, como a cópia de uma cópia. Nunca fica mais fresca ou mais clara. Então até uma memória muito forte pode ser incerta, pois está sempre no processo de dissolução. 

— Do filme Marjorie Prime,
uma ficção científica simples e dramática
sobre o saber/recordar a fim de ser mais
humano,
sendo humano ou não

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Não entres nessa noite acolhedora com doçura, de Dylan Thomas

Não entres nessa noite acolhedora com doçura,
Pois a velhice deveria arder e delirar ao fim do dia;
Odeia, odeia a luz cujo esplendor já não fulgura.

Embora os sábios, ao morrer, saibam que a treva lhes perdura,
Porque suas palavras não garfaram a centelha esguia,
Eles não entram nessa noite acolhedora com doçura.

Os bons que, após o último aceno, choram pela alvura
Com que seus frágeis atos bailariam numa verde baía
Odeiam, odeiam a luz cujo esplendor já não fulgura.

Os loucos que abraçaram e louvaram o sol na etérea altura
E aprendem, tarde demais, como o afligiram em sua travessia
Não entram nessa noite acolhedora com doçura.

Os graves, em seu fim, ao ver com um olhar que os transfigura
Quanto a retina cega, qual fugaz meteoro, se alegraria,
Odeiam, odeiam a luz cujo esplendor já não fulgura.

E a ti,meu pai, te imploro agora, lá na cúpula obscura,
Que me abençoes e maldigas com a tua lágrima bravia.
Não entres nessa noite acolhedora com doçura,
Odeia, odeia a luz cujo esplendor já não fulgura.

Peguei do Poesia.net

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

1 ano de Westworld

1 ano desde que o Ramin superou seu trabalho em Game Of Thrones na base do piano de saloon. Trilha geniosa. 

sábado, 23 de setembro de 2017

Não basta...

... lançar um dos melhores álbuns do ano. Tem que encaixar um EP absurdo logo depois. Nem sei o que comentar dessas quatro faixas aí, um solo melhor que o outro, uma bagunça de melodias. Mastodon é outro nível de música, tá louco!

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Breve registro sobre chutar e acertar a trave

Jogava bola. Faz tempo isso, um tempo tirano. Sempre de brincadeira, de modo que arrematar e acertar a trave era uma espécie de coisa boa, um quase que era comemorado como se antecipando o glorioso momento de um futuro arremate de mira mais certa. 

Na literatura, nem sei o porquê de demorar tanto pra submeter textos à avaliação de outros, me atirar em concursos literários. Tempo tirano por demais, sem negócio, se desse trocaria um rim pela chance de regressar, começar mais cedo a dar chutes, testar a pontaria. Enfim. Dia desses arrisquei uma brincadeira chamada Você está na cadeira do dentista, no 3º Prêmio Escriba de Crônicas 2017, e acertei a trave numa menção honrosa! 

A comemoração tá como um gol feito!

domingo, 17 de setembro de 2017

Por que queimamos nossos mortos?

Há quem pense que é um gesto para o corpo, um jeito nobre de impedir a corrupção dos vermes da terra. Isso porque houve épocas em que o costume estrangeiro de plantar os mortos como sementes havia infectado a mente deste povo. Mas não, não é essa a causa das chamas, que se foda o corpo, já não é mais do que uma sombra da pessoa em vida. O gesto é para a alma. O fogo purifica e a alma deve ser purificada. 

Quando vivo, o fogo é um flagelo para o indivíduo. Dor na carne, essa prisão. Foi o tempo que houve homens capazes de andar sobre o fogo, capaz de comer e cuspir chamas, foi o tempo em que a purificação poderia ser feita ainda em vida, a alma, essa arte não esculpida, era uma só com o fogo. Hoje, não há mais feitos grandiosos, a alma tomou a forma desse mundo acabado e cinzento, a forma da sociedade cheia de defeitos e injustiças. Hoje, há morte. E nela a alma finalmente pode retornar ao caminho do fogo.

E é por isso que queimamos nossos mortos.