quinta-feira, 29 de setembro de 2016

"Canção de Cassilda" em O Rei de Amarelo, ato I, cena 2

O mar quebra pela orla, vago,
Os sóis gêmeos afundam sob o lago,
As sombras se alongam
Em Carcosa. 

Estranha é a noite em que estrelas negras sobem,
E estranhas luas o céu percorrem
Mas ainda mais estranha é a
Perdida Carcosa.

Que morra inaudita,
Onde o mando em retalhos do Rei se agita;
A canção que entoarão às Híades na
Obscura Carcosa. 

Canção de minh'alma, minha voz é finada;
Morra sem ser entoada, como lágrima jamais derramada
Seca e morta na
Perdida Carcosa. 
— em O rei de amarelo, do Robert W. Chambers

sábado, 24 de setembro de 2016

Para contadores de histórias 2

Penso que observação é um terço da coisa. Daí me vem em mente um trio bom pra dissecar, livros que ensinam tanto quanto divertem. Recomendo com todas as forças aos contadores de história.   


Mestre Gil de Ham, do J. R. R. Tolkien
Tem alguns livros menores do Tolkien por aí que são bem divertidos, mas o mais bacana não é a história em si, acredite. Legal mesmo é a edição, que traz mais de uma versão do texto para que o leitor veja as mudanças que o autor fez, do rascunho até a obra final. Mestre Gil de Ham é um desses livros. Além disso, aqui Tolkien é muito mais sucinto que em O senhor dos anéis, quase parece outro autor, a narrativa correndo leve, cômica, universal, pega o interesse de qualquer idade. 

Ratos e homens, do John Steinbeck
O livro preferido do Sawyer, da série Lost. Fui ler, todo curioso, anos depois do seriado terminar. E, bom, é um livro que você não dá muito crédito logo de cara, capa simples, titulo estranho, poucas páginas — o que será que valeu o prêmio Nobel de 1979? Ah... só sei que desde então li Ratos e homens três vezes e não ficaria surpreso comigo mesmo se o pegasse neste instante para uma quarta rodada. A história é boa em sua simplicidade comovente, mas eu daria o Nobel por causa dos diálogos geniais, que são quase como música. Sério mesmo, Steinbeck escreveu um manifesto de agilidade em diálogos disfarçado de pequena história. E exagero mais: vital para a formação de qualquer contador de histórias! 

A música do silêncio, do Patrick Rothfuss  
Ao contrário do Ratos e homens, A música do silêncio não possui lições para diálogos — pois não há um se quer! Em termos de história, deve fazer maior sentindo pra quem leu O nome do vento. Pra quem não leu, tudo bem, fica a observação do texto em terceira pessoa, ponto de vista de uma menina esquizofrênica morando sozinha no subsolo de uma universidade num mundo de fantasia medieval com alguns avanços científicos. Pat Rothfuss dá uma aula breve de como colocar no papel sentimentos e opiniões e pensamentos quaisquer sem nunca dizê-los literalmente, pois a personagem de fato não tem com quem conversar, hm. Texto sugestivo, exige percepção, às vezes consegue gerar mais de uma interpretação. Vale.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

— Que lhe parece que possa ter matado aqueles homens, Gered?

— Foi o frio — disse Gered com uma certeza férrea. — Vi homens congelar no inverno passado e no outro antes desse, quando eu era pequeno. Toda a gente fala de neve com doze metros de profundidade, e do modo como o vento de gelo chega do norte uivando, mas o verdadeiro inimigo é o frio. Aproxima-se em silêncio, mais furtivo do que o Will. A princípio estremece-se e os dentes batem, e bate-se com os pés no chão e sonha-se com vinho aquecido e boas e quentes fogueiras. Ele queima, ah, como queima. Nada queima como o frio. Mas só durante algum tempo. Então, penetra no corpo e começa a enchê-lo, e passado algum tempo já não se tem força suficiente para combatê-lo. É mais fácil limitarmo-nos a nos sentar ou a adormecer. Dizem que não se sente dor alguma perto do fim. Primeiro, fica-se fraco e sonolento, e tudo começa a se desvanecer, e depois é como afundar num mar de leite morno. Como que pacífico. 
— George R. R. Martin, n'A guerra dos tronos

sábado, 17 de setembro de 2016

Eita!

Como que uma apresentação consegue ser tão completa assim?

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O melhor

Pensa no melhor disco de metal progressivo concebido nesse brutal 2016. Pensou? Então, ele se chama Theories Of Flight e tem essa música aqui, ó:

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Estou aqui...

... me perguntando: como que nunca ouvi falar desses israelenses antes?

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

GdTRPG: Brynden Rivers, o Corvo de Sangue

Vou usar esse personagem como mentor numa aventura futura e acabei estipulando a ficha dele em três períodos diferentes de sua longa existência, hm. Ficou assim:

Corvo de Três Olhos (época atual, final d'A dança dos dragões)
Planejador/Especialista Venerável

Habilidades: Astúcia 7 (Decifrar 2B, Lógica 4B, Memória 6B), Conhecimento 7 (Educação 3B, Pesquisa 3B, Manha 3B), Enganação 4, Idiomas 4, Lidar com Animais 4 (Treinar 1B), Percepção 7 (Empatia 3B, Notar 5B), Persuasão 5 (Barganhar 1B, Convencer 3B, Intimidar 1B), Status 1 (Administração 1B, Criação 1B, Reputação 1B), Vigor 3, Vontade 7 (Coragem 3B, Dedicação 6B).

Pontos de Destino: 1.
Benefícios: Companheiro Animal (Corvos e Cervos), Especialista (Memória), Foco em Conhecimento (Histórias e Lendas, Magia, Natureza), Memória Eidética, Sangue de Valyria, Sangue dos Primeiros Homens, Sinistro, Sonhos de Warg, Troca Peles, Visão Verde, Warg.
Desvantagem: Bastardo, Frágil, Marcado.

Defesa de Combate 7 / Saúde 11
Defesa em Intriga 15 / Compostura 21
Movimento 4 / Corrida 16


Senhor Comandante da Patrulha da Noite (cerca de 50 anos antes do inicio d'A guerra dos tronos)
Líder/Planejador Velho

Habilidades: Agilidade 4, Astúcia 5 (Decifrar 1B, Lógica 3B, Memória 1B), Atletismo 3, Conhecimento 4 (Educação 3B, Pesquisa 3B, Manha 3B), Enganação 4 (Disfarce 1B, Blefar 2B), Guerra 4 (Comandar 3B), Idiomas 4, Lidar com Animais 3 (Cavalgar 1B, Treinar 1B), Luta 4 (Lâminas Longas 1B), Percepção 5 (Empatia 3B, Notar 3B), Persuasão 5 (Barganhar 1B, Convencer 3B, Intimidar 1B), Pontaria 4 (Arcos 1B), Status 6 (Administração 2B, Criação 1B, Reputação 5B), Vigor 3, Vontade 6 (Coragem 3B, Dedicação 3B).

Pontos de Destino: 3.
Benefícios: Autoridade, Companheiro Animal (Corvos), Esquadrão de Elite (Dentes de Corvo), Famoso, Foco em Conhecimento (Magia), Herança (Irmã Negra), Irmão da Patrulha da Noite (Intendente), Líder de Homens, Maestria em Arma (Arco), Preciso, Respeitado, Sangue de Valyria, Sangue dos Primeiros Homens, Sinistro, Sonhos de Warg, Traiçoeiro, Visão Verde, Warg.
Desvantagem: Bastardo, Defeito (Agilidade), Marcado.

Defesa de Combate 5 / Saúde 11
Defesa em Intriga 16 / Compostura 15
Movimento 3 / Corrida 9

Arco Longo Superior: 4D+1B+1, dano 7, desajeitada, duas mãos, longo alcance, perfurante 1.
Irmã Negra (Espada Bastarda de aço valyriano): 4D+2, dano 5, adaptável.
Placas: valor 10, penalidade 6, volume 3.


Mestre dos Sussurros / Mão do Rei (cerca de 100 anos antes do inicio d'A guerra dos tronos)
Líder/Planejador de Meia Idade

Habilidades: Agilidade 4, Astúcia 5 (Decifrar 1B, Lógica 2B), Atletismo 3, Conhecimento 4 (Educação 3B, Pesquisa 2B, Manha 3B), Enganação 4 (Disfarce 1B, Blefar 2B), Furtividade 3, Guerra 4 (Comandar 3B), Idiomas 4, Lidar com Animais 3 (Cavalgar 1B, Treinar 1B), Luta 4 (Lâminas Longas 1B), Percepção 5 (Empatia 3B, Notar 2B), Persuasão 5 (Barganhar 1B, Convencer 3B, Intimidar 1B), Pontaria 4 (Arcos 2B), Status 9 (Administração 2B, Criação 1B, Reputação 5B), Vigor 3, Vontade 5 (Dedicação 2B).

Pontos de Destino: 5.
Benefícios: Autoridade, Companheiro Animal (Corvos), Contatos (Porto Real), Esquadrão de Elite (Dentes de Corvo), Famoso, Foco em Conhecimento (Magia), Herança (Irmã Negra), Líder de Homens, Maestria em Arma (Arco), Preciso, Respeitado, Sangue de Valyria, Sangue dos Primeiros Homens, Sinistro, Sonhos de Warg, Traiçoeiro, Visão Verde, Warg.
Desvantagem: Bastardo, Inimigo (Aço Amargo), Marcado.

Defesa de Combate 6 / Saúde 11
Defesa em Intriga 19 / Compostura 15
Movimento 3 / Corrida 9

Arco Longo Superior: 4D+1B+1, dano 7, desajeitada, duas mãos, longo alcance, perfurante 1.
Irmã Negra (Espada Bastarda de aço valyriano): 4D+2, dano 5, adaptável.
Placas: valor 10, penalidade 6, volume 3.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Kung fu

Se você, um dia, voltar ao Ocidente, o que dirá sobre estas estranhas palavras, "kung fu"? Dirá que significa lutar — ou dirá, como um monge de Shaolin, que são usadas para convocar o espírito do grou e do tigre? Kung fu significa "habilidade suprema pelo trabalho duro". Um grande poeta alcançou kung fu. O pintor, o caligrafo, pode se dizer que eles têm kung fu. Até o cozinheiro, o que varre os degraus ou um servo com perícia podem ter kung fu. Treino, preparação, repetição sem fim: até que sua mente esteja esgotada e seus ossos doam. Até que esteja cansado demais para suar, acabado demais para respirar. Esta é a forma, a única forma, de ter kung fu. 
— Texto dado ao monge Cem Olhos, personagem da ágil Marco Polo

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

"Cozinha do inferno" origens

Foi no finalzinho do século 19, virada do século e tal. Na época, toda esta parte da cidade... esta rua mesmo, na verdade... vivia uma franca e contínua guerra de gangues. Era gangue pra todo lado. Elas mandavam aqui. A versão mais comum da história diz que esse policial... um policial famoso... como era o —? Ah, sim... Fred Holandês. Um veterano. Ele tinha um parceiro novato, e os dois estavam observando um tumulto maluco que explodiu. Um banho de sangue e fogo no meio da rua. Dizem que o novato viu aquilo e falou algo tipo "isto aqui é o inferno!". Aí o Fred Holandês responde: "O inferno tem um clima agradável. Aqui é a cozinha do inferno"
— Lá na HQ do Demolidor, aquela escrita pelo gênio Bendis